Olá dr Obstetra… quer sair da Matrix? Nós temos a pílula vermelha!

Há um mês começamos reuniões do movimento pela humanização do parto com grupos de profissionais e ativistas para discutir o modelo de assistência obstétrica em Sorocaba.

Nascia então o MAHPS – Movimento de Apoio à Humanização do Parto em Sorocaba.

Da nossa primeira reunião, saíram algumas estratégias e concluímos que é necessário sim trabalhar as mulheres, para que elas tomem as rédeas de sua gestação e parto, e sejam protagonistas de sua história, mas que precisamos também ter um suporte em hospital para as mulheres que não querem ou não podem pagar um parto domiciliar.

Por isso, através das obstetrizes que fazem parte do nosso grupo, convidamos obstetras e residentes de obstetrícia para participarem de um bate-papo e apresentar nosso grupo e nossa proposta de um modelo de assistência diferenciado.

Este bate-papo aconteceu na ultima quarta-feira, dia 08 de junho às 19:00.

No bate papo um obstetra e duas residentes  como convidados foram recebidos pelo nosso grupo (duas obstetrizes, uma parteira, uma doula, uma fonoaudióloga especialista em amamentação, duas mães que pariram naturalmente e um querido neonatologista). Contávamos com a presença de uma querida obstetra mas um bebê deu o ar da graça e ela teve que acompanhar uma paciente.

Me senti como se estivessemos no filme Matrix. Aliás, já escrevi aqui sobre a Matrix Obstétrica. E me senti como se oferecessemos a pílula vermelha a esses profissionais, que aprenderam um modelo de assistência obstétrica que os prepara apenas para emergências e para tomar decisões em momento de intercorrências. Um modelo de assistência repleto de intervenções e que não leva em consideração a fisiologia do parto e do binômio mãe-bebê.

 Partindo do princípio que uma gestação normal não é doença, um parto deveria acontecer naturalmente e sem intercorrências, o que não justifica protocolos de emergência com todas as pacientes, que ao serem internadas recebem todo um pacote de intervenções desnecessárias. Invervenções essas, que apenas aumentam os riscos de complicações. Intervenções que muitas vezes são não recomendadas, e que muitas vezes são até mesmo proibidas (como a Manobra de Kristeller) pelos órgãos que regulamentam a saúde pública em nosso país.

Quando Morpheus entregou as duas pílulas para Neo, qual a escolha Neo teve que fazer? Ele estava diante de dois caminhos: o do conhecimento da realidade, da verdade (em relação ao parto, o caminho das evidências científicas), representado pela pílula vermelha ou o caminho da ilusão, da ignorância (neste caso, o caminho dos protocolos intervencionistas descabidos), representado pela pílula azul.

 E foi exatamente isso o que apresentamos aos nossos convidados. A possibilidade de descobrir um novo modelo de assistência às gestantes, modelo esse que é recomendado pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde e que é praticado em muitos países da Europa e América do Norte e em algumas cidades do Brasil.

 Diferentemente do filme em que Neo, o convidado, é obrigado a se decidir entre a pílula vermelha e a  pílula azul no mesmo momento, nossos convidados saíram da reunião com informação e ciência de que é possível fazer diferente. De que há mulheres que desejam ter um parto diferente, natural e humanizado. De que há mulheres que saíram da Matrix e hoje são protagonistas de sua feminilidade. Saíram da reunião com um mundo de possibilidades à frente.

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